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O Observatório Pierre Auger descobre a origem dos raios cósmicos de energia extrema

 

Os dados recolhidos no Observatório Pierre Auger indicam que as fontes dos raios cósmicos mais energéticos que chegam à Terra não estão uniformemente distribuídas no Espaço Celeste mas  coincidem antes com a localização de galáxias próximas que contêm buracos negros activos nos seus centros.

O Observatório Pierre Auger situado na pampa Argentina (em Malargüe, província de Mendoza) é o maior detector de raios cósmicos do Mundo. Cobre uma área de cerca de 3000 km2 com 1600 detectores localizados a uma distância de 1.5 km uns dos outros complementados por quatro conjuntos de seis telescópios de ultra violetas que escrutinam a atmosfera por cima dos detectores. A construção de um segundo Observatório, no hemisfério Norte, cobrindo cerca de 10000 km2 está actualmente numa fase avançada de estudo. Na colaboração Pierre Auger participam mais de 370 cientistas e engenheiros de 17 países. Portugal é membro da colaboração Pierre Auger desde Março de 2006 através de um grupo de investigadores e estudantes do Laboratório de Instrumentação e Partículas (LIP).

Os resultados de Auger associam as origens dos raios cósmicos mais energéticos a núcleos galácticos activos (AGNs “Active Galactic Nuclei). Os AGNs são buracos negros super-massivos, situados no centro das galáxias, com massas entre um milhão e mil milhões de vezes a massa do Sol, que “devoram” constantemente grandes quantidades de matéria e projectam para o espaço partículas e energia. Apenas uma pequena fracção das galáxias (~1%) têm um núcleo galáctico activo. O modo como os AGNs conseguem acelerar partículas até energias 100 milhões de vezes superiores às energias alcançadas nos maiores aceleradores feitos pelo Homem é ainda desconhecido.

Os raios cósmicos são protões e núcleos atómicos que viajam através do Universo a velocidades próximas da velocidade da luz. Os raios cósmicos mais energéticos transportam a energia de uma bola de ténis lançada a grande velocidade mas concentrada no espaço minúsculo de uma partícula (o protão tem um raio de cerca de 10-16 m – 1 a dividir por 10000000000000000 m!). Quando os raios cósmicos energéticos colidem com os átomos do topo da nossa atmosfera (a cerca de 20 km de altitude) criam chuveiros de biliões de partículas secundárias que, quando atingem a superfície da Terra, cobrem uma superfície de dezenas de quilómetros quadrados. O Observatório Pierre Auger detecta uma fracção destas partículas secundárias que atingem a superfície da Terra e também, nas noites sem lua, os clarões de luz ultra violeta  produzida na atmosfera pela passagem destes chuveiros.

Citando o prémio Nobel James Cronin, da Universidade de Chicago, que com Alan Watson da Universidade de Leeds, esteve na origem do projecto do Observatório Pierre Auger :

“Demos um grande passo na solução de um mistério com um século de idade. Agora começamos a compreender os processos violentíssimos que ocorrem nas galáxias nossas vizinhas. À medida que melhoramos as observações, iremos obter uma melhor visão da origem exacta destas partículas e como foram aceleradas. No limite, aprenderemos mais sobre os buracos negros e sobre o seu papel na evolução do Universo.”

 

Contacto em Portugal:

Mário Pimenta, LIP, +351 217 973 880,  pimenta@lip.pt

 

Site oficial de Auger (fotografias, press releases,…):

http://www.auger.org/media