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dia 8 de Novembro
O Observatório Pierre Auger descobre a origem dos raios
cósmicos de energia extrema
Os dados recolhidos no Observatório Pierre Auger indicam
que as fontes dos raios cósmicos mais energéticos que chegam à Terra não estão uniformemente
distribuídas no Espaço Celeste mas coincidem
antes com a localização de galáxias próximas que contêm buracos negros activos
nos seus centros.
O Observatório Pierre Auger situado na pampa Argentina
(em Malargüe, província de Mendoza) é o maior detector de raios cósmicos do
Mundo. Cobre uma área de cerca de 3000 km2 com 1600 detectores localizados
a uma distância de 1.5 km uns dos outros complementados por quatro conjuntos de
seis telescópios de ultra violetas que escrutinam a atmosfera por cima dos detectores.
A construção de um segundo Observatório, no hemisfério Norte,
cobrindo cerca de 10000 km2 está actualmente numa fase avançada de
estudo. Na colaboração Pierre Auger participam mais de 370 cientistas e engenheiros
de 17 países. Portugal é membro da colaboração Pierre Auger desde Março de 2006
através de um grupo de investigadores e estudantes do Laboratório de
Instrumentação e Partículas (LIP).
Os resultados de Auger associam as origens dos raios
cósmicos mais energéticos a núcleos galácticos activos (AGNs “Active Galactic
Nuclei). Os AGNs são buracos negros super-massivos, situados no centro das
galáxias, com massas entre um milhão e mil milhões de vezes a massa do Sol, que
“devoram” constantemente grandes quantidades de matéria e projectam para o
espaço partículas e energia. Apenas uma pequena fracção das galáxias (~1%) têm
um núcleo galáctico activo. O modo como os AGNs conseguem acelerar partículas
até energias 100 milhões de vezes superiores às energias alcançadas nos maiores
aceleradores feitos pelo Homem é ainda desconhecido.
Os raios cósmicos são protões e núcleos atómicos que
viajam através do Universo a velocidades próximas da velocidade da luz. Os
raios cósmicos mais energéticos transportam a energia de uma bola de ténis
lançada a grande velocidade mas concentrada no espaço minúsculo de uma
partícula (o protão tem um raio de cerca de 10-16 m – 1 a dividir
por 10000000000000000 m!). Quando os raios cósmicos energéticos colidem com os
átomos do topo da nossa atmosfera (a cerca de 20 km de altitude) criam
chuveiros de biliões de partículas secundárias que, quando atingem a superfície
da Terra, cobrem uma superfície de dezenas de quilómetros quadrados. O
Observatório Pierre Auger detecta uma fracção destas partículas secundárias que
atingem a superfície da Terra e também, nas noites sem lua, os clarões de luz
ultra violeta produzida na atmosfera
pela passagem destes chuveiros.
Citando o prémio Nobel James Cronin, da Universidade de
Chicago, que com Alan Watson da Universidade de Leeds, esteve na origem do
projecto do Observatório Pierre Auger :
“Demos um grande passo na solução de um mistério com um
século de idade. Agora começamos a compreender os processos violentíssimos que
ocorrem nas galáxias nossas vizinhas. À medida que melhoramos as observações,
iremos obter uma melhor visão da origem exacta destas partículas e como foram
aceleradas. No limite, aprenderemos mais sobre os buracos negros e sobre o seu
papel na evolução do Universo.”
Contacto
em Portugal:
Mário
Pimenta, LIP, +351 217 973 880, pimenta@lip.pt
Site
oficial de Auger (fotografias, press releases,…):